Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009
Centro Cultural Vila Flor acolhe exposição da artista Adelina Lopes

Centro Cultural Vila Flor acolhe exposição da artista Adelina Lopes até dia 29 de Novembro. Durante este período vão decorrer múltiplas oficinas de artes plásticas e de música para crianças.

 

O Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, tem patente uma exposição de Adelina Lopes onde a artista apresenta um conjunto de imagens criadas a partir de montagens e associações de objectos comuns com diversos tipos de materiais que se encontram dispersos pelo nosso quotidiano. Neste processo artístico, Adelina Lopes estabelece um amplo diálogo com o público observador do seu trabalho.

Nesta exposição, a artista produz um conjunto de novas relações perceptivas que nascem da interacção dos materiais utilizados, criando, assim, um acréscimo de referências simbólicas sobre a situação inventada. Nesta abordagem insinuam-se processos de ilusão que nos obrigam a executar sucessivos actos de recriação óptica, implicando-nos em jogos de sentidos permanentes.

As peças apresentadas guardam no seu interior uma espécie de segredo que se revela a quem as olhar atentamente, colocando muitas vezes o observador em situações inusitadas de confronto cuja possibilidade de resolução reside na aprendizagem e utilização dos conhecimentos adquiridos nas suas experiências vividas, ancorados na prática quotidiana de cada um e no uso da sua atenção.

O trabalho de Adelina Lopes é, na sua essência, um processo complexo, variado e ambivalente de montagem. Nas destruições ou cortes levados a efeito sobre espelhos, placas de acrílico (vidros), pratos e calhaus rolados, aparecem-nos permanentemente actos acabados de construção que exprimem uma recusa do utilitarismo das suas formas originais, recuperando-as, no mesmo movimento, para uma nova “utilidade” e função estética que desejam passar a cumprir e nos mostram os múltiplos e diferentes níveis de autenticidade que nelas co-existem.

Através da montagem, que a artista utiliza em diferentes suportes (fotografia e objectos tridimensionais), cada obra transborda para fora de si mesma e conquista uma exterioridade, expande os seus significados e não se limita ao espaço onde os trabalhos estão contidos. Desta maneira, a exposição configura-se como, simultaneamente, um dispositivo e um território de diálogo entre o observador e as peças apresentadas, potenciando a ampliação dos sentidos nelas inicialmente inscritos. As fotografias fazem parte integrante das montagens que lhes deram origem, conferindo-lhe uma memória visual. As tarefas interpretativas de cada obra manifestam-se numa actividade processada através da interacção entre o observador, o título e a organização dos elementos expostos.

A utilização de materiais em estado natural como a água e os calhaus rolados e a procura de uma minimização no uso da cor, feita através da utilização intensa do branco, do preto e dos vários tons de cinzento, denota uma clara vontade de simplificação e de despojamento. Esta economia de meios revela um desejo de se retirar do processo de comunicação que está implícito em cada obra, de subtrair o maior número possível de elementos cromáticos e de estruturas formais. Esta estratégia de contenção pretende promover um relacionamento próximo e directo, uma relação depurada, entre os trabalhos e o seu público através de uma economia dos meios nos processos adoptados, permitindo criar com todos aqueles que as olham, interessantes diálogos de aprofundamento compreensivo, capazes de potenciar significados e interpretações.

Durante o período de exposição serão realizadas visitas guiadas, de terça a sexta-feira, e oficinas de artes plásticas e de música para crianças. A oficina de artes plásticas, intitulada “Sentidos Provisórios”, irá decorrer de 29 de Setembro a 26 de Novembro sob a orientação de Lara Soares. Esta oficina parte do trabalho de Adelina Lopes para a exploração de sentidos associados aos objectos do quotidiano. Diferentes objectos, cada um com um nome e uma função associada, serão explorados e transformados. Esta oficina destina-se às crianças do pré-escolar e do 1º ciclo com o intuito de mostrar que o que nos rodeia poderá assumir novas formas e sentidos. A oficina de música irá decorrer entre 30 de Setembro e 25 de Novembro, com Ricardo Rocha, e dirige-se às crianças dos 10 aos 12 anos de idade. A partir de objectos quotidianos, será iniciado um percurso de descoberta sonora, atribuindo aos mesmos um novo contexto de utilização. Recorrendo a elementos musicais como a melodia, o ritmo, a intensidade e o timbre, pretende-se proporcionar o entendimento de que a variação sobre cada um destes componentes dá origem a novos objectos musicais. No trajecto da oficina será construída uma pequena peça musical. As marcações para as visitas guiadas e para as oficinas estão sujeitas a marcação prévia com uma semana de antecedência e poderão ser efectuadas por telefone 253 424 700 ou através do e-mail servicoeducativo@aoficina.pt.

Publicado bragadistrito às 08:00
Link do Post | Comentar | Adicionar aos Favoritos
Mais sobre este Blog
Pesquisar neste Blog
 
Newsletter

Escreva o seu e-mail:

Distribuido por FeedBurner

Maio 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
Posts Recentes

Troilo e Créssida no Thea...

Eunice para Crianças

Client na Casa das Artes

Festival Panos

A Naifa no CCVF

...

Exposição 'Bienal na Esco...

...

Carlos Macedo na Casa das...

Semana da Educação na Póv...

Arquivos

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

tags

todas as tags

Contador
blogs SAPO
subscrever feeds