Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008
Needcompany traz “The Porcelain Project” a Guimarães

Numa apresentação única em Portugal, “The Porcelain Project”, da conceituada companhia belga Needcompany, sobe ao palco do Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, no próximo dia 25, às 22h00, depois de ter percorrido os mais prestigiados festivais e palcos europeus.

 

“The Porcelain Project” traz o carimbo da multifacetada coreógrafa indonésia Grace Ellen Barkey, co-fundadora da Needcompany. Barkey oferece-nos um amontoado de verdadeiro absurdo. E com muito sucesso, sejamos justos. Ela sabe, como ninguém, usar o absurdo para produzir performances cheias de vivacidade e imaginação, e com uma intensidade visual fortíssima. Em “The Porcelain Project”, Grace Ellen Barkey mostra a sua habilidade para criar dança com entusiasmo, oscilando entre forma e conteúdo.

Centenas de pedaços de louças baloiçam em cordas. A área onde acontece a performance está delimitada por vasos ou jarrões irregulares. Sente-se uma certa decadência no ar. Este é o cenário perfeito para um louco drama real, a transbordar de frivolidade. Vestidos com largas saias de crinolina, os bailarinos circulam de forma graciosa.

Os objectos de porcelana branca que habitam todo o cenário parecem ter um grande poder manipulativo, mas toda esta agilidade e transparência nada mais é que ilusão. Uma ilusão que gradualmente se desfaz e acalma a dança. O rei que vemos a correr em palco passa pelo mesmo processo de decadência. Nos seus discursos, a sua megalomania transforma-se em demência sem sentido.

O que faz de “The Porcelain Project” um espectáculo tão sublime é a mestria na integração de todos os elementos necessários para fazer esta performance resultar. Música, cenário e bailarinos fundem-se organicamente numa experiência sensorial que penetra todas as nossas fibras. A música clássica contemporânea, assinada por Thomas Adès, ocupa um lugar crucial entre as paisagens sonoras criadas pelo bailarino e compositor Maarten Seghers e os violinos de Rombout Willems. A sua composição Asyla - Opus 17 não só evoca grandiosos bailados, como também bandas filarmónicas e mesmo música house. Os supostamente majestosos discursos de um lunático rei, mordomos que tropeçam em si próprios e as delicadas canções de uma princesa inconstante (inspirados no rei Jorge III), juntam-se também a esta estrutura. Humor grosseiro, sexualidade e ironia, mas com subtileza, sem nos retirar uma sensação agradável.

Publicado bragadistrito às 08:00
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