Domingo, 7 de Dezembro de 2008
Motivos barrocos iluminam Natal de Braga

As luzes de Natal em Braga e o Barroco, linguagens para uma ornamentação criada na história.

 

 

As ornamentações natalícias, pela primeira vez, cumprem um conceito arquitectónico assente no estilo barroco que impera em Braga.

«O estilo barroco inicia-se fragmentadamente, com a introdução de motivos dispersos, de feição decorativa, não estrutural, em edifícios já existentes; é um período de experimentação de formas e das suas potencialidades, transformando-se rapidamente num discurso dominante; contrariando a rigidez dos cânones vigentes, procura um efeito cenográfico, uma ideia de movimento, através da utilização de formas curvas e fluidas talhadas na pedra, como as volutas, as espirais, as colunas torsas, a alternância nas fachadas dos edifícios entre formas diversas de elementos vários, como os frontões sobre as aberturas, tudo isto de modo a criar um ritmo perceptível na repetição destes elementos», explica o arquitecto Fernando Pinto.

Evocando a identificação de Braga com o estilo barroco, o criativo lembra que a arquitectura do século XVIII, particularmente do período tardo-barroco, marcou para sempre a imagem da cidade, com a edificação de um conjunto de edifícios de uso civil ou religioso, grande parte pela mão de André Soares, responsável por alguns notáveis exemplares, no espaço nacional como pela Europa.

O presépio, disperso por vários pontos da cidade (Avenida Central, Campo da Vinha, Largo São João do Souto), é constituído por várias figuras de reis magos, pastores e ovelhas, que se dirigem ao local (Arcada) onde Maria e José esperam pelo dia 24 de Dezembro, altura em que o Menino Jesus se dá a conhecer.

«O plano desenvolvido propõe a instalação de um tecto de luz, abobadado, com a extensão aproximada de um quilómetro, que, ligando o Arco da Porta Nova ao Largo da Senhora-a-Branca, percorre o principal eixo comercial e pedonal de Braga, pelas ruas D. Diogo de Sousa, do Souto até ao final da Avenida Central», adianta o arquitecto municipal, que releva desta forma «o efeito festivo, alusivo ao céu estrelado, num eixo para o qual converge a maioria das ruas consideradas neste projecto».

A Rua de São Marcos e a Rua dos Chãos, consideradas o segundo eixo comercial de Braga, transversal ao principal, foram decoradas com o tema dos frontões alternados, utilizados sistematicamente na arquitectura barroca.

A Rua do Castelo, com a proposta de duas volutas simétricas, onde se pretende uma iluminação mais rica e intensa, funcionando como um alargamento complementar da Rua do Souto, ou até como zona de paragem para descanso do longo percurso pedonal do Arco da Porta Nova à Senhora-a-Branca.

A Rua de Janes e a Rua de São João, assumidas quase em oposição à Rua do Castelo, como uma fuga tranquila ao intenso bulício das áreas comerciais, onde se propõem espirais duplas de luz amarela, inventando para este espaço/rua um ambiente quase nostálgico.

A Avenida da Liberdade, condicionada pelas obras de criação de uma nova praça, vê a intervenção ornamental na parte norte limitada à iluminação das árvores. Para a zona Sul fica a reprodução de uma das obras emblemáticas do barroco bracarense: o escadório do Bom Jesus.

Nas ruas dos Capelistas, Eça de Queirós, D. Afonso Henriques, da Misericórdia e do Raio seguiram-se os mesmos princípios com a introdução de novas formas do barroco.

Nas restantes ruas e espaços intervencionados optou-se pela iluminação das árvores, dando assim maior relevo à presença dos elementos naturais no ambiente urbano.

«Nos principais acessos à cidade foram ainda colocados pórticos iluminados, que simbolizam, a exemplo do Arco da Porta Nova, não só entradas para a cidade, mas também um desejo de boas-vindas e de boas-festas», conclui Fernando Pinto.

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Publicado bragadistrito às 08:00
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