Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009
Paulo de Carvalho em Guimarães

Nome incontornável da música portuguesa das últimas décadas, Paulo de Carvalho, estará no Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, dia 07, às 22h00.

 

Nome incontornável do panorama musical português das últimas décadas, Paulo de Carvalho regressa aos palcos para apresentar o mais recente álbum “Do Amor”. Com mais de 45 anos de carreira e um percurso que dispensa apresentações, Paulo de Carvalho estará em Guimarães, este sábado, dia 07 de Fevereiro, às 22h00, no Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor.

Chamam-lhe “A Voz”. Audaz, aventurou-se por diversos géneros musicais, desde a música negra norte-americana, ao funky, ao jazz, à música africana e ao fado. Em todos os registos deixou um marco. É como diz: “Mais do que cantor, sou músico, toco voz”. Notabilizou-se pela qualidade interpretativa mas, curiosamente, a carreira de Paulo de Carvalho não começou pelo canto, mas pela percussão. Estávamos então em 1963. Juntamente com Fernando Chaby, Carlos Mendes e Jorge Barreto, funda os Sheiks, o mais popular grupo pop português da época, onde actuava como baterista e backing vocal. Faz parte, como fundador ou convidado, de alguns dos mais importantes grupos musicais da altura, como Fluído, Banda-4 ou os Thilo’s Combo.

Depressa a robustez da sua voz lhe assegura grande popularidade como cantor e um lugar definitivo na história da música ligeira em Portugal. E se mais não houvesse a dizer dos 45 anos de carreira de Paulo de Carvalho, obrigatória seria a referência ao tema “E Depois do Adeus” que, pela sua voz, deu o primeiro sinal da Revolução em 1974, a mesma música com que, nesse ano, vence o Festival RTP da Canção - proeza que repete três anos depois. Mas sim, muito mais há a dizer de um homem que rejeitou facilitismos ou comodidades e tantas vezes caminhou à margem do sistema.
Pisou palcos nos quatro cantos do mundo, e também o mundo se rendeu à qualidade d’A Voz: arrecadou prémios de interpretação no Festival de Slantchey Briag, na Bulgária (1975), no Festival Sopot, na Polónia e ainda na Bélgica e em Viña Del Mar, no Chile (1980). Na década de 80, envereda pelo fado num movimento de contra-corrente. “Desculpem qualquer coisinha”, editado em 1985, com acompanhamento de guitarra portuguesa, é um gesto de resistência contra a hegemonia cultural anglo-saxónica, um grito de afirmação da língua portuguesa. O disco, de onde sai o tema “Os meninos do Huambo”, gera polémica no meio musical português, mas constitui o maior êxito de vendas da sua carreira – é o seu primeiro Disco de Ouro. Seguem-se “Homem Português”, acompanhado mais uma vez pela guitarra portuguesa, em 1986, e “Terras Da Lua Cheia” em 1987. “Música D’Alma”, editado em 1992, foi o primeiro projecto colectivo no campo da lusofonia, com participação de Tito Paris (Cabo Verde) e Filipe Mukenga, (Angola), entre outros. Completa, nesse ano, o trigésimo aniversário de profissão, sendo homenageado pela Casa da Imprensa na Grande Noite do Fado.

Ainda na senda do fado, grava, dois anos depois, nos Estúdios Abbey Road da EMI, em Londres (onde os Beatles gravaram muitos dos seus álbuns), “Alma”, com a participação da Royal Philarmonic Orchestra; e, em 1996, “Fados Meus”. Em 2002 celebra 40 anos de carreira com a edição do duplo CD “Antologia 40 Anos”, uma recolha de José Niza. Feitas as contas, soma hoje mais de 20 álbuns a solo e uma mão cheia de singles. Afastado dos discos de originais há dez anos, Paulo de Carvalho regressa com “Do Amor”, editado em Maio do ano passado. Mas nem só do canto vive esta Voz. Como autor e compositor, Paulo de Carvalho já escreveu mais de 300 títulos. Alguns imortalizaram-se como temas fundamentais do repertório lusitano: “Mãe Preta”, “Nini dos meus 15 anos”, “Lisboa Menina e Moça” ou “Os Putos”, apenas para citar alguns. Apostado na promoção da língua portuguesa, tem colaborado com os grandes embaixadores da lusofonia: entre poetas, escritores e músicos, contam-se Carlos do Carmo, Simone de Oliveira, Sara Tavares, Martinho da Vila, Mariza, José Carlos Ary dos Santos, Fernando Assis Pacheco, Ivan Lins, Dulce Pontes, Joaquim Pessoa, Virgílio Massingue, Mafalda Veiga, Maria Barroso, Ana Zanatti, Simone de Oliveira, Alda Lara, Né Ladeiras, Isabel Ruth, Maria Rosa Colaço, entre outros.

Publicado bragadistrito às 08:00
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