Domingo, 19 de Abril de 2009
Lugares Ocultos

A exposição de fotografia Lugares Ocultos, de César Figueiredo e Jorge Inácio, está patente até dia 26 no Mosteiro de S. Martinho de Tibães.

 
«Após a realização de duas séries fotográficas, inseridas no contexto da arqueologia industrial, surgiu a oportunidade de expor esse trabalho com carácter de memória visual de tempos idos associados ao ritual de laboração. Na sequência de já ter exposto na “Sala do Recibo” do Mosteiro de S. Martinho de Tibães no ano de 2003, surgiu a ideia de conciliar este trabalho fotográfico com Jorge Inácio, o qual tem vindo a fazer um levantamento de registos fotográficos do Mosteiro, entrado em locais e pormenores muitas vezes imperceptíveis e “ocultos” desse magnífico espaço monástico. Esta associação de fotografias com aspectos distintos entre fábricas e mosteiro acabou por dar origem a um projecto artístico de grande envergadura por possibilitar um ponto de vista único e revelador dos aspectos comuns entre “fábrica” e “mosteiro”. A ideia surgiu então, de estabelecer uma relação directa entre o objecto do projecto fotográfico e o espaço monástico. É de extrema importância, realçar nesta exposição as características comuns entre a “fábrica” e o espaço da exposição, o “mosteiro”. À partida, parece não haver senso neste conceito arrojado, mas se pensarmos nas fábricas como espaços vastos, com áreas perfeitamente divididas onde o trabalho era executado para determinados fins, e sobretudo com um ritual muito preciso, marcando uma rotina diária. Tal como as fábricas, os mosteiros são locais de rotina, de trabalho espiritual e são também compostos por áreas perfeitamente definidas onde essa rotina diária era executada segundo regras extremamente precisas. Ambos os universos (fábrica e mosteiro) são grandes, operam dezenas ou centenas de funcionários/monges para que tudo se mantenha imutável. Neste caso, as fábricas fotografadas estão em ruínas, e mais uma vez se relacionam bem com a ideia gerada socialmente que os mosteiros são construções antigas, místicas e quase sempre em ruínas ou em avançado estado de degradação. Não é por ventura o caso do Mosteiro de Tibães, mas basta a ideia romântica de mosteiro, e todo o aparato inerente a este universo para criar o fio condutor para que o conceito do meu trabalho em parceria com as fotos de Jorge Inácio seja entendido. Trata-se pois, de um objectivo conceptual da visualização e do entendimento de pontos que ligam estes dois mundos tão diferentes, mas em simultâneo tão perto e tão idênticos na sua estrutura mais íntima.
O título da exposição é “Lugares Ocultos”, reforçando a ideia de retiro. Quer nos mosteiros, quer nas fábricas há um grande distanciamento entre o interior sagrado e quase inacessível, do mundo exterior. Há quase como uma barreira invisível que separa o mundo profano exterior do mundo sagrado, do culto e do trabalho. Os “Lugares Ocultos”, são eles mesmo, muitas vezes o alvo das nossas objectivas, mostrando e descobrindo sítios, vistas, visões e planos desconhecidos da rotina do dia a dia. O oculto na sua dimensão mais transversal, é aqui posta a nu, evidenciando pormenores e dimensões comuns destes dois ambientes únicos. Neste projecto fotográfico não há presença humana, simplesmente foram captados os diferentes espaços e pormenores que interessaram destacar para realçar o espaço e remeter para a nostalgia do tempo em que tudo estava em actividade. Pretendeu-se captar as texturas e os espaços degradados pelo tempo, numa tentativa de conseguir sentir os cheiros e os ruídos causados por tantos anos de laboração. Da mesma forma, as paredes dos mosteiros encerram em si tantos pormenores de ruína, de texturas e de espaços abandonados que nos fazem lembrar os tempos áureos da vida monástica, do tratamento do culto e das rotinas pesadas, quase como se de funcionários se tratasse para manter uma ordem global num só espaço muito vasto. Tive ainda a iniciativa de produzir um vídeo onde destaco muitos desses espaços das fábricas fotografadas e do Mosteiro de Tibães, numa abordagem esteticamente interessante para o espectador. Este é o único registo a cores destes dois mundos apagados pelo tempo mas imortais na nossa memória».

Fonte - César Figueiredo

Publicado bragadistrito às 08:00
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