Domingo, 20 de Dezembro de 2009
Thomas Helbig na Galeria Mário Sequeira

Exposição de Thomas Helbig na Galeria Mário Sequeira até 20 de Janeiro.

 

 
A exposição conta com um importante conjunto de pinturas e esculturas recentemente produzidas e muito significativas.

Thomas Helbig (Rosenheim, Alemanha, 1967), estudou na Real Academia de Belas Artes, de Munique, e na Goldsmith College, Universidade de Londres. Apresentou já inúmeras exposições em museus e galerias, entre as quais se destacam as recentemente realizadas na Oldenburger Kunstverein, no ICA - Institute of Contemporary Arts, Londres, e Museum Abteiberg, de Mönchengladbach.
“À primeira vista, as esculturas de Thomas Helbig parecem ser ruínas futurísticas - achados bizarros e dispersos, porventura sugestivos de alguma remota civilização gótica que glorificaria a sua defunta autoridade. Na realidade, são elaboradas a partir de escombros contemporâneos, objectos e peças soltas encontrados em caixotes do lixo e em mercados de rua. O estúdio de Helbig é um laboratório de invenções em que o objecto efémero da vida quotidiana é desfeito e remontado com materiais de construção, para criar tótemes de poder fictício. Através deste processo de abstracção, Helbig apresenta-nos as soluções formais como escapismo literário, desenhando uma mitologia intemporal a partir do quotidiano. Utilizando os contrastes de textura dos materiais, as esculturas de Helbig criam abstracções biomórficas que oscilam entre vestígios carbonizados e fossilizados e da ficção científica. Ao encrustarem suaves formas moldadas em materiais globulares e ásperos, possuem um fisicismo táctil, em conflito com elas mesmas: frágeis e brutais, elevadas e primitivas. Pintadas com tinta negra muito brilhante, as esculturas de Hebig são simultaneamente sinistras e bem-humoradas, sugerindo narrativas encantadoras e abjectas.
Ao levarem ainda mais longe as ideias de reorganização sistemática presentes nas suas esculturas, as pinturas de Thomas Helbig são, muitas vezes, derivadas de imagens e metodologias respigadas de livros de formação artística. Deixando a lição a meio, Helbig omite as últimas etapas: as suas telas, que sugerem paisagens ou retratos, transformam-se em abstracções ansiosas, baseadas, em partes iguais, em impressões estéticas e uma formulação subversiva. As pinturas de Thomas Helbig abordam a abstracção com uma subtil intimidade. Montadas em desajeitadas molduras feitas à mão, as suas telas exalam uma autoridade contemplativa que abarca a alta cultura e o artesanato. Imperiosas pelo dinamismo da pintura, as abstracções de Thomas Helbig esforçam-se por capturar a essência do poder. Nas suas cruas telas, Helbig alude às inflexíveis forças da natureza e aos modos de representação utilizados para pôr rédeas à sua vastidão. Estilisticamente, Helbig recicla a história da arte, usando a linguagem visual como uma ideologia de reflexão: dos subtextos da abstracção ao espiritualismo da romantismo. Em 2008, numa entrevista pessoal, Thomas Helbig explicou: “Gostaria de transportar as coisas para o desconhecido. O meu trabalho não é sobre o reconhecimento. Esse tipo de abstracção não me interessa. Nem o simbolismo. Tal ilusionismo leva ao vácuo.”
Helbig vê as formas modernistas, por assim dizer, como restos que acabam por ser os rudimentos de uma linguagem passada e que, apesar disso, podem ainda desenvolver uma força rebelde e inspiradora. Para ele, o seu potencial espiritual não está de modo algum esgotado. Apenas precisam de ser desconstruídos e convertidos numa nova realidade.

Publicado bragadistrito às 08:00
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